COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Ex-prefeito da cidade mineira é processado pela morte de quatro servidores do Ministério do Trabalho, assassinados em 2004, na emboscada que ficou conhecida como "Chacina de Unaí".

 

(Rede Brasil Atual e foto Agência Brasil)

 

O ex-prefeito de Unaí (MG) Antério Mânica filiou-se ao PMDB na última sexta-feira (4). Sem partido desde o final do ano passado, quando deixou o PSDB, ele confirmou que sairá candidato a deputado estadual no ano que vem. Mânica é um dos acusados de ser mandante na chamada chacina de Unaí, na região noroeste de Minas, em janeiro de 2004, quando três auditores-fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego foram mortos a tiros.

 

Ele disse ter sido convidado por “diversos” partidos e optou pelo PMDB “pelas condições locais”. Na semana passada, o jornal mineiro O Tempo publicou reportagem sobre a possível candidatura, fazendo com que a direção do partido em Minas Gerais divulgasse nota afirmando não ter “interesse” na filiação do ex-prefeito, que administrou Unaí de 2005 a 2012 – no ano passado, o candidato do PSDB, o vice-prefeito José Gomes Branquinho, foi derrotado por Delvito Alves, deputado do PTB.

 

Para Mânica, o julgamento do caso Unaí não terá reflexo na campanha. "Acredito que vai ser julgado muito antes do período eleitoral. O julgamento já era para ter ocorrido. Quem impediu foi a acusação", reagiu.

 

Dois dos acusados, entre eles o empresário Norberto Mânica, irmão de Antério, entraram com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o julgamento seja realizado em Unaí e não em Belo Horizonte, como está previsto. A Primeira Turma do STF suspendeu a análise dos HCs após pedido de vista feito pelo ministro Dias Toffoli. Por enquanto, a votação está empatada – o relator, Marco Aurélio Mello, já se manifestou a favor do pedido, enquanto Rosa Weber votou contra. Faltam três votos.

 

Antério disse estar à espera da decisão, mas manifestou sua preferência por Unaí, até pelo noticiário considerado desfavorável na capital mineira sobre o episódio de 2004, que ele chama de "tragédia". "Infelizmente, o que a imprensa publicou sobre mim é praticamente zero de verdade. O que está no processo não é o que está na imprensa."

 

Três acusados de serem os executores foram julgados e condenados em agosto pela Justiça Federal de Minas Gerais.