COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

CPT Maranhão denuncia tentativa de assassinato contra o sindicalista Almirandi Pereira, vice-presidente da Associação Quilombola do Charco, de São Vicente Ferrer (MA), no mesmo dia em que Dinho foi assassinado, dia 27 de maio, última sexta-feira. Almirandi estava em casa quando três tiros foram disparados. Felizmente nenhum projétil o atingiu.

 

Enquanto o mundo tomava conhecimento do assassinato de Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara – Rondônia, ocorrido em 1996, no mesmo dia aqui no Maranhão, mas precisamente em São Vicente Ferrer, o sindicalista Almirandi Pereira Costa, 41 anos, casado, pai de 3  filhos e vice-presidente da associação quilombola de Charco sofria uma tentativa de assassinato.

Almirandi está na luta pela titulação do território quilombola do Charco em conflito com Gentil Gomes, pai de Manoel de Jesus Martins Gomes e Antônio Martins Gomes, recentemente beneficiados por um salvo-conduto concedido pelo TJ-MA. Os dois estão denunciados pelo Ministério Público Estadual sob a acusação de serem os mandantes do assassinato de Flaviano Pinto Neto, líder do mesmo quilombo, no dia 30 de outubro de 2010.

A tentativa ocorreu por volta das 21h30min do dia 27 de maio, depois de ele ter voltado de uma reunião no quilombo Charco. Segundo o próprio Almirandi, ele estava na sala de sua casa com as portas fechadas quando ouviu parar em frente da mesma um carro modelo celta, de cor preta, de onde, depois de alguns minutos, foram feitos 03 disparos. Segundo a polícia civil de São Vicente Ferrer, trata-se de uma pistola calibre 380 – igual à arma utilizada para matar Flaviano.  Os projéteis atingiram paredes e telhado da casa.

Esse “recado” dado por pistoleiros  aumenta nossa indignação porque a decisão do TJ-MA é uma ameaça gravíssima  não só à liberdade, mas à própria vida dos quilombolas de Charco- São Vicente Ferrer e Cruzeiro-Palmeirândia; porque o governo federal DESCUMPRE  a Constituição Federal que determina a titulação das terras ocupadas pelas comunidades remanescentes de quilombos ao cortar recursos do Orçamento Público Federal  – do Ministério do Desenvolvimento Agrário  ao qual está vinculado o INCRA foi quase Hum bilhão de reais; porque o governo da sra. Roseana Sarney Murad fez corpo mole e não prendeu os denunciados pelo assassinato de Flaviano Pinto Neto.

Vamos continuar a luta. Não nos intimidarão as balas do latifúndio.

CPT Maranhão

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