COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

O esperado julgamento de Adriano Chafik Luedy, mandante do massacre em que foram assassinados 5 trabalhadores na cidade mineira de Felisburgo, começa na quinta-feira, 10 de outubro. O réu confesso utilizou de diversos subterfúgios para evitar sua condenação, adiando a apreciação do caso e sentença por quatro vezes.

 

(MST e foto Mídia Ninja)

Após a última audiência, o juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes entendeu que Chafik estava agindo de má-fé, decretou a prisão preventiva e decidiu sobre a atuação da Defensoria Pública, caso houvesse algum novo impedimento do advogado reponsável, já que ele alegou não poder comparecer ao julgamento por uma sessão de quimioterapia em Salvador. Assim, juristas avaliam que não há mais possibilidades de que o julgamento seja adiado. 

 

O TJMG negou três vezes o Habeas Corpus de Chafik, mas dez dias após a prisão, o ministro do STJ Marco Aurelio Bellizze deferiu o pedido, justificando ter “a convicção de que o poder judiciário possui mecanismos legítimos e menos radicais para evitar a utilização de manobras protelatórias pela defesa.”

 

As famílias que moram no acampamento Nova Alegria, onde aconteceu o crime, vivem sob ameaças e foram incluídas no Programa Nacional de Proteção de Defensores de Direitos Humanos. Porém, aparentemente este fato não pesou na decisão do ministro já que sequer aparece em suas considerações sobre o caso. Cinco dias antes, o mesmo ministro havia negado a liminar. Do dia 30 de agosto à 04 de setembro o senhor Bellize encontrou argumentos para afastar os efeitos de uma súmula (691-STF) que ele mesmo havia usado para manter Chafik preso.

 

Outros três réus, jagunços contratados, também serão julgados. Francisco de Assis Rodrigues, Milton Francisco de Souza e Washigton Agostinho da Silva foram beneficiados com o HC de Chafik e também estão soltos.

 

Para acompanhar de perto a decisão e garantir que justiça seja feita, aproximadamente 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra chegam à Belo Horizonte na próxima quarta, dia nove. O MST acredita que, independente dos desmandos daqueles que deveriam representar a justiça, finalmente teremos um resultado em favor dos trabalhadores, pois os jurados são do povo e o povo está cansado de injustiça.