COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Instituições, professores, familiares e amigos assinam artigos sobre os mártires da terra assassinados em diferentes momentos da história do estado. Para viabilizar o projeto as instituições contam com contribuições voluntárias e realizam live de lançamento da publicação nesta quinta-feira (30)

“Gringo” era o apelido de Raimundo Ferreira Lima, dirigente sindical executado por pistoleiros em maio de 1980, em São Geraldo do Araguaia, sudeste paraense. O militante somava apenas 43 anos. Além de sindicalista na região do Araguaia, Lima era agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Gringo foi o primeiro dirigente sindical assassinado na região receonhecida como a mais violenta na luta pela terra no país. A principal suspeita pelo sequestro e execução do sindicalista, quando o mesmo retornava de evento em São Paulo, recai sobre o fazendeiro Neif Murad, relata uma das edições do boletim Grito da PA 150.

No dia 18 de julho de 1982, no final da convenção municipal do PMDB de Marabá, ao sair à rua, o advogado Gabriel Pimenta foi assassinado com três tiros de revólver, pelas costas, disparados a curta distância pelo pistoleiro José Crescêncio de Oliveira.

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O jagunço foi contratado pelo chefe de pistolagem da região da época, José Pereira Nóbrega, o Marinheiro, sócio de Manoel Cardoso Neto, o Nelito. Gabriel Pimenta tombou sem vida aos 27 anos de idade. Pimenta era natural da Zona da Mata do estado de Minas Gerais, cidade de Juiz de Fora. Foi o terceiro entre os sete filhos homens de Geraldo Pimenta e D. Glória.

Dorothy foi executada no dia 12 de fevereiro de 2005 no município de Anapu. O agricultor Amair Feijoli da Cunha, o “Tato”, intermediou a execução da missionária ao preço de 50 mil reais. Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, e Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão” foram os fazendeiros que chegaram ao banco dos réus pela encomenda da morte da religiosa. Como em outras partes do Estado, as instituições que defendem a reforma agrária avaliam que os mesmos integram consórcio de fazendeiros que encomendam a execução de desafetos.

Estes são alguns dos casos elencados na obra que busca recuperar parte da saga da luta pela terra na Amazônia, com recorte no estado do Pará. O estado é considerado o mais violento do país, com destaque para a região sudeste. Os anos da década de 1980 foram os mais letais.

Credita-se o circunstância à criação da União Democrática Ruralista (UDR), o braço armado dos ruralistas, bem como ao avanço da fronteira do grande capital, a partir da efetivação de grandes projetos, a exemplo da frente de mineração, da pecuária extensiva e da construção de grandes obras, como a hidroelétrica de Tucuruí.

O livro iluminará ainda algumas chacinas, entre elas, os casos da Fazenda Ubá e da Fazenda Princesa, ocorridas na década de 1980. O Massacre de Eldorado, que se deu em 1996 e a execução do casal de extrativistas, José Cláudio e Maria do Espírito Santo, registrada nos anos 2000 são outros eventos contemplados no projeto.

Neste delicado cenário, a violência é elemento estruturante no processo de integração subordinada da região em diferentes momentos históricos. Bem como, a coerção pública (polícia) e privada (pistolagem), o manto da impunidade e a posição parcial do poder judiciário. E, ainda, a operação dos ruralistas arquitetada a partir de consórcios com vistas a eliminar os seus adversários.

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O MST, a Federação dos Trabalhadores e das Trabalhadoras na Agricultura do Pará (Fetagri), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (SDDH) integram a iniciativa, animada pelos professores Rogerio Almeida, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), e Elias Sacramento, da Universidade Federal do Pará (Ufpa), e apoio do Brasil de Fato, versão do Rio Grande do Sul.

Além de professor, Elias é filho de Virgílio Sacramento, sindicalista morto na região de Moju, na década de 1980. O professor assina artigo sobre o caso do pai. O jornal Brasil de Fato, versão do Rio Grande Sul colabora na de divulgação da iniciativa.

Ricardo Rezende, professor da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), ex agente da CPT nos anos 1980 na região de Conceição do Araguaia assina artigo sobre a missionária Molinari, assassinada em Eldorado dos Carajás e do padre Josimo, executado no Maranhão, em Imperatriz.

O procurador federal Felício Pontes e o padre Amaro narram a via crucis da irmã Dorothy. O advogado da CPT de Marabá, Batista Afonso, em parceira com o também advogado Carlos Guedes enfocam o Massacre de Eldorado, enquanto o professor Airton Pereira, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), em parceira com Rogerio Almeida abordam as chacinas Ubá e Princesa. Familiares de Expedito Ribeiro, João Canuto e Gringo empenham-se na recuperação sobre a trajetória dos lutadores da reforma agrária.

A apresentação da dissertação Padres Posseiros de São Geraldo do Araguaia: o Caso de Cajueiro, em abril de 2020 assinada pelo sociólogo Alex Lima, filho de Gringo, no mestrado sobre dinâmicas territoriais na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) foi o princípio para a mobilização do projeto.

Alex somava nove meses quando da morte do pai. A defesa do mestrado ocorreu 40 anos após a execução de Gringo. O trabalho teve a orientação do professor Airton Pereira (UEPA), e teve como examinadores o professor da UFRJ, Ricardo Rezende e a professora Edma Moreira (Unifesspa).

Entre os casos de dirigentes sindicais, chacinas, religiosos e advogados, o livro busca reunir perto de 16 trabalhos. O projeto inicialmente denominado de Luta pela terra na Amazônia: mortos da luta pela! Vivos na luta pela terra! será apresentado em live no dia, 30, deste mês, na página: https://www.facebook.com/brasildefators

Para a viabilização da obra as instituições realizam uma vaquinha via plataforma de arrecadação. Saiba mais sobre o projeto no SITE. Luta Pela Terra Na Amazônia – Mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra! (dzawi.com)

Mais informações

Elias Sacramento (91) 99176 8821
Rogerio Almeida (91) 987595303