COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Na manhã de ontem, 30 de julho, agricultores e agricultoras do município de Cachoeiras de Macacú, na região serrana do Rio de Janeiro, rebelaram-se contra os técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e representantes da Cohidro.  

 

A Cohidro é a empresa responsável pela elaboração do EIA/RIMA de uma barragem que será construída na região. O motivo do descontentamento do grupo foi o descumprimento dos acordos entre o poder público e os agricultores.

Os projetos desenvolvimentistas em curso no estado, como também a construção da barragem de Guapiaçú, acirra ainda mais os conflitos pela terra e viola há décadas os direitos das populações do campo. O Estado do Rio de Janeiro historicamente sempre negligenciou e invisibilizou os camponeses e comunidades tradicionais, no que diz respeito aos seus territórios, territórios tradicionais, que estão, sobretudo, no interior e na franja da região metropolitana do estado. As populações do campo, em tempos de crise do modelo urbano, tiveram e ainda tem papel fundamental para a sustentabilidade do povo da cidade, oferecendo alimentação saudável e de qualidade.

Neste contexto, a Comissão Pastoral da Terra do Rio de Janeiro, comprometida há 30 anos com a luta do povo camponês fluminense, repudia veementemente as ações dispensadas pelo governo burguês do estado do Rio de Janeiro, bem como a maneira com que os trabalhadores e trabalhadoras do campo de Macacú têm sido tratados pelo poder público.

Reafirmamos a rebeldia do povo trabalhador, e, em sua missão de serviço pastoral junto aos pobres da terra, nos solidarizamos com os agricultores e agricultoras do Movimento dos Atingidos por Barragens do RJ. E ainda, "encantados" pelas diversas vozes entoadas no nosso IV Congresso Nacional da CPT realizada na Amazônia, denunciamos em várias vozes, não a violência do estado! Nós, agentes pastorais, reafirmamos nosso apoio à organização social e a esperança na vida em seus territórios. 

E clamamos: Faz escuro, mas cantamos!

CPT Rio de Janeiro