Terezinha Nunes Meciano, líder da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e seu companheiro, Anderson Mateus André dos Santos, foram mortos com requintes de crueldade, na noite do último domingo, 22 de novembro, no acampamento Élcio Machado, localizado entre Monte Negro e Buritis, em Rondônia.

 

(Com informações do Diário da Amazônia, LCP e CPT Rondônia)

 

Conforme Nota divulgada pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), “vizinhos relataram que três homens chegaram de moto, invadiram a casa e deram cerca de 16 disparos de arma de fogo, e que Terezinha foi golpeada de machado na cabeça e Anderson levou golpes de foice pelo corpo. Uma filha e duas netas de Terezinha estavam em casa na hora do ataque, mas conseguiram fugir pela mata”.

No mês de junho último, outro integrante do mesmo movimento, identificado como Delson Mota, o “Capixaba”, também foi morto com cinco tiros. Além dele, José Antônio Dória dos Santos, o Zé Minhenga, liderança dos sem terra na região, também foi assassinado, em janeiro desse ano.

Segundo o jornal Diário da Amazônia, Buritis estaria no ranking da Polícia Civil como um dos municípios mais violentos da região, justamente por conflitos agrários e disputas por terras.

A área onde está o acampamento Élcio Machado tem cerca de cinco mil alqueires e fica onde era a antiga fazenda Primavera, que começou a ser ocupada em 2008. Após três anos de conflitos, os proprietários decidiram negociar a área com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de reforma agrária, mas até hoje o processo de regularização da terra vem se arrastando.
 

Camponês de Buritis está desaparecido há quinze dias

Além dos casos de assassinato na região, um camponês, Valdecy Padilha, morador da Área 10 de maio, no município de Buritis (RO), está desparecido desde o dia 11 de novembro. Após seu desaparecimento, segundo informações da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), vizinhos ouviram tiros na fazenda que faz divisa com o lote de Padilha. Eles temem que ele tenha sido assassinado. Em setembro último, o camponês e sua família haviam sido atacados por pistoleiros fortemente armados. Segundo a LCP, depois de expulsar a família de suas terras, foi feita uma “picada” cortando o lote de Valdecy ao meio. Pistoleiros deixaram uma cruz feita com cartuchos calibre 12 e espalharam panos vermelhos em toda a divisa.