COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Nesta sexta-feira, 13, ocorrerá, em Xinguara (PA), um seminário em homenagem ao religioso promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e o lançamento do livro “Apaixonado por Justiça”. No sábado, 14, a urna com as cinzas de Henri chega ao acampamento que leva o seu nome. As homenagens ao religioso, que faleceu no fim do ano passado, ocorrem no bojo de seus 40 anos de chegada ao Brasil.

 

(Fonte: Assessoria de Comunicação da CPT com informações de Frei Xavier Plassat | Imagem: Arquivo CPT)

Sábado, dia 14 de abril de 2018, é a data em que as cinzas de Frei Henri Burin des Roziers se encontrarão com a terra vermelha do acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que carrega o seu nome há mais de cinco anos, situado no município de Curionópolis, na região Sudeste do Pará. Militante histórico das causas do povo pobre do campo, principalmente na região Norte do país, Henri faleceu em novembro de 2017 em sua terra natal, a França.

No Acampamento Frei Henri – local onde as famílias sem-terra já sofreram diversas formas de violência e de violações de direitos –, foi construída, através de doações de várias pessoas, uma casa simples, a Casa da Memória Frei Henri, onde a urna com suas cinzas será depositada. E ali, conforme seu desejo, ele testemunhará a luta desse povo transformar esse pedaço de terra em um assentamento.

“Trata-se de fazer jus ao claro desejo expressado pelo Frei Henri de ‘descansar entre os seus’, no acampamento de famílias do MST. Trata-se, sobretudo, nesta oportunidade, de celebrar a ‘beleza de pessoa’ que Henri foi entre nós, adubar as sementes que plantou em nosso chão, alimentar a esperança que nos move a continuar caminhando, cantando e fazer acontecer aqueles sonhos de um outro mundo, necessário e possível, de Justiça, paz, direito”, contextualiza Frei Xavier Plassat, confrade dominicano de Henri e Coordenador da Campanha Nacional da CPT de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo, e o responsável por transportar a urna com as cinzas do frei, da França ao Brasil.

Plassat conta que “são vários os projetos que tentamos viabilizar ao mesmo tempo para engrandecer essas merecidas homenagens: um livro (“Apaixonado por Justiça”) no qual Henri fala em primeira pessoa no entardecer de sua vida e onde amigos lhe prestam homenagem; um seminário em Xinguara promovido pela OAB, dedicado a uma das últimas vitórias de Henri: a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Brasil Verde; várias celebrações, umas de cunho mais religioso, outras também de cunho político, em Xinguara e Curionópolis”, explica.

Publicado originalmente na França há dois anos, o livro “Apaixonado por Justiça”  (imagem abaixo) foi, nesse meio tempo, traduzido e adaptado para a língua portuguesa por Xavier, Carolina Motoki e Igor Rolemberg. Plassat lembra ainda que, no ano passado, ele e Aninha – Ana Souza Pinto –, agente da CPT em Xinguara, leram o texto traduzido e a revisão na companhia de Henri, antes dele fazer sua Páscoa. “Frei Henri participou desse processo”, conta Xavier. “Quando ele faleceu, falamos que precisávamos terminar o livro, como uma homenagem a ele. Esse livro é uma semente de esperança. Semeando novas estrelas é o nome do evento de sábado, pois ele [Henri] foi uma estrela em meio à escuridão para muita gente, e a intenção é que tenhamos mais e mais estrelas assim”, destaca.

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E nesta sexta-feira, 13, em Xinguara, local onde Henri atuou por vários anos, ocorrerá, às 19 horas, no Salão Paroquial da Igreja Católica, a primeira edição do Prêmio Frei Henri, que é promovido pela OAB do município. Serão agraciados/as na cerimônia: Anna Claudia Lins Oliveira (Ouvidora do Conselho de Segurança Pública do Estado do Pará); Jonatas dos Santos Andrade (Juiz Federal do Trabalho do TRT 8ª Região); Padre Ricardo Rezende Figueira (Diretor do Movimento Humanos Direitos – MhuD e ex-agente da CPT); e Jarbas Vasconcelos (Presidente da Comissão Nacional de Prerrogativas do Conselho Federal da OAB).

(Confira a programação completa dos eventos no final desta matéria)

Vida e luta

Frei Henri nasceu em 1930 em uma família aristocrática, se formou em advocacia e, provocado pelas situações de desigualdade e injustiça, se tornou frade dominicano. Em 1968, se alinhou com a revolução dos estudantes, em Paris, na qualidade de capelão do centro Saint Yves, o único centro dos estudantes que não fechou e nem condenou os anseios que buscavam. Em 1970, foi viver e conviver na condição de padre-operário exercendo funções de operário, motorista e zelador. Depois, aceitou o desafio de morar no Brasil, provocado pela morte de Frei Tito (1974), exilado na França.

Chegou ao Brasil no final de 1978 e o campo de atuação que logo lhe abriu foi o trabalho desenvolvido pela CPT junto aos posseiros e pequenos agricultores na defesa de seus direitos à terra. Inicia junto à CPT do Norte do estado de Goiás, hoje Tocantins, sobretudo no Bico do Papagaio. Para melhor atuar em sua defesa, conseguiu o reconhecimento de seus estudos jurídicos e a inscrição na OAB.

Em 1991, após o assassinato do presidente do Sindicato de Rio Maria, Expedito Ribeiro da Silva, foi para Rio Maria, no sul do Pará, onde os conflitos pela terra e a violência contra os trabalhadores alcançavam dimensões assustadoras. E naquela região, entre Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara, exerceu sua ação até quando, com a saúde fragilizada, em 2013, voltou para a França. Henri foi responsável pela condenação de diversos fazendeiros mandantes de assassinatos de lideranças sindicais na região.

Ele serviu de inspiração para uma plêiade de jovens advogados que pautaram suas atividades nos princípios e na determinação do frade que incomodava quem explorava e oprimia.

Confira a programação completa:

Dia 13 de abril

19 hrs – Abertura

19h20 – Painel de Debate sobre a sentença de condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Fazenda Brasil Verde

Coordenador do Painel: Adilar Daltoé (Conselheiro Federal da OAB/TO)

Debatedores:

Frei Xavier Plassat – Coordenador da Campanha Nacional da CPT de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo

Padre Ricardo Rezende – Diretor do MHuD e Professor Adjunto da UFRJ

Ela Wiecko Volkmerde Castilho – Subprocuradora-Geral da República

Tatiana de Noronha Versiane Ribeiro – Procuradora da República

21 hrs – Atividades de Entrega do Prêmio Frei Henri de Direitos Humanos

22 hrs – Lançamento do livro “Apaixonado por Justiça”

Dia 14 de abril

09 hrs – Acolhida

10 hrs – Ato Ecumênico

11h30 – Ato Político e Cultural

13 hrs – Almoço Coletivo

14h30 – Lançamento do livro “Apaixonado por Justiça”

16 hrs – Encerramento

 

Venda do livro

O livro “Apaixonado por Justiça” estará disponível, a partir do dia 12 de abril, para venda.

O valor é de R$ 20,00. A publicação pode ser adquirida nos seguintes locais:

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil: (62) 3229-3014 |  justpaz@dominicanos.org.br

CPT em Marabá: (94) 3321-2229 | cptmabpa@yahoo.com.br

CPT em Xinguara: (94) 3426-1790 | cptxgapa@terra.com.br

CPT Araguaia-Tocantins (63) 3412-3200 | cpt.tocantins@gmail.com

::. Em breve a publicação estará disponível para venda no site da CPT Nacional

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