COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

Famílias sofrem com violência e destruição desde 2021; fazendeiros alegam propriedade das terras, tradicionalmente ocupadas há 80 anos

Com informações da Agência Tambor
Foto: Reprodução

 

Na madrugada deste último domingo (19), por volta das 4h da manhã, a Comunidade Tradicional Baixão dos Rochas, em São Benedito do Rio Preto (MA), foi alvo de destruição de casas, incêndio e morte de animais. Um grupo de aproximadamente 15 pessoas, encapuzadas, chegou ao território em uma van e dois tratores, portando armas de fogo. 

As casas foram invadidas e os moradores, entre idosos e crianças, foram expulsos sob ameaças. O grupo armado também furou os pneus das motos que estavam no local e mataram cachorros, galinhas e outros animais. Os alimentos da comunidade, em estoque, foram saqueados.

Alguns idosos, além de expulsos de suas casas, foram mantidos reféns. Após liberados, foram levados para um hospital, já que passaram mal diante da brutalidade.

Muitas famílias perderam todos os seus pertences e o clima é de pavor. Há temor pela vida dos trabalhadores e trabalhadoras da comunidade. Vídeos que circulam demonstram que mesmo com a chegada da Polícia Militar, homens ainda encapuzados permaneceram na área ao lado de policiais.


Sobre o caso

A comunidade Baixão dos Rochas é uma área de aproximadamente 600 hectares, constituída por 57 famílias que vivem da agricultura familiar e do extrativismo. Elas ocupam a área há mais de 80 anos. A moradora mais idosa da comunidade possui 85 anos, e sua família está na quarta geração dentro do território.

Em 2021, as empresas Terpa Construções S.A e Bomar Maricultura LTDA iniciaram a invasão das terras. Desde então, jagunços passaram a desmatar áreas de roças e vegetação, sem licença ambiental, para o plantio de soja. Junto ao desmatamento, chegaram as ameaças aos moradores, constituindo a velha prática da extrema direita ruralista. 

Em agosto do ano passado, viralizou nas redes sociais um vídeo produzido por moradores da comunidade de Baixão dos Rochas, em que tratores realizavam desmatamento, destruíam roças, quase atropelando trabalhadoras e trabalhadores rurais. Na ocasião, uma senhora idosa correu sério risco de ser atingida. 

Os agricultores e agricultoras contam que os fazendeiros que se instalaram no local alegam serem donos das terras. Os moradores disseram que eles nunca comprovaram ou apresentaram documentos da suposta posse.

Ainda em 2022 as empresas conseguiram uma liminar na justiça, contrária aos interesses dos agricultores, para reintegração de posse. O caso segue judicializado na Vara Agrária do Maranhão. De acordo com organizações que acompanham a comunidade, as terras ocupadas são públicas, e o próprio ITERMA já identificou o processo de grilagem, não havendo sequer origem de registro.

Desde 2021, as famílias não tem sossego, são ameaças constantes. Várias pessoas, sobretudo idosos, passaram a desenvolver severos problemas de saúde mental, depressão, ansiedade e insônia.

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