COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Campanha Radar das Queimadas no Cerrado realizará o monitoramento das queimadas no Bioma. Articulação das CPT's do Cerrado e entidades parceiras estão fazendo o levantamento de informações durante os meses de setembro, outubro e novembro.

 

TEXTO: Caio Barbosa e Valéria Santos - Comunicação Popular da Articulação das CPT's do Cerrado*
ARTE: Lu Mota - Comunicação Popular da Articulação das  CPT's do Cerrado
FOTO: Leandro Santos

No Brasil, somente no mês de agosto desse ano, foram registrados mais de 1 milhão de focos de queimadas. Deste total,  segundo os dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 205 mil foram no Cerrado, tornando o bioma o segundo com maior registros, representando 18,6% das queimadas do país. A situação do Cerrado só não é mais grave que Amazônia com mais de 661 mil queimadas, correspondendo 59,9% do total. Na sequência vem Pantanal com 15,8%, Mata Atlântica 3,9%, Caatinga 1,4% e  Pampa 0,3%.

No Cerrado, o Mato Grosso é o estado com mais registros de incêndios, sendo 292.672 mil no mês. Pois, somente no município de Poconé, na Baixada Cuiabana, foram registradas 64.886 mil focos de incêndio pelos satélites do Inpe, sendo este o segundo município mais devastado no país, atrás somente de Altamira, no Pará, que teve 85.002 focos identificados.

Pará, Amazonas e Mato Grosso são os estados com o maior número de queimadas detectadas pelo Inpe. Juntos representam 60% das queimadas em agosto no país. Neste período, as cinco cidades com mais focos de calor são: Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Corumbá (Mato Grosso), Novo Progresso (Pará) e Poconé (Mato Grosso). Os focos de calor são detectados por satélites monitorados pelo Inpe. O Aqua, também utilizado pela Agência Espacial Americana (Nasa).

As queimadas se configuram como mais um agravante no processo em curso de destruição do Cerrado, que atreladas ao desmatamento e o avanço das monoculturas, impactam a biodiversidade e Comunidades e Povos Tradicionais. Recentemente no Maranhão e no Tocantins, o fogo atingiu dois territórios quilombolas: Quilombo Cocalinho, no município de Parnarama/MA e o Quilombo Grotão, município de Filadélfia/TO. No Quilombo Cocalinho, o incêndio partiu da fazenda historicamente ligada à empresa Suzano Papel e Celulose, pondo em risco moradores, que realizaram mutirões para impedir a queima das casas e dos roçados. No Quilombo Grotão, o fogo avançou de uma fazenda abandonada adentrando o território, queimando a vegetação nativa, roças de mandiocas, bananas e frutíferas, destruindo na região, mais de 300 alqueires de Cerrado. Os efeitos das queimadas e desmatamento do Cerrado é uma grande ameaça para toda a população brasileira, principalmente nesse período da pandemia da Covid-19.

A destruição do Cerrado caminha a passos largos, colocando em risco os territórios dos campos e florestas e das águas, bem como todos os modos de vidas tradicionais existente no bioma. No processo de destruição do Cerrado, as queimadas estão intimamente ligadas ao desmatamento para abertura de grandes fazendas. E conforme o relatório divulgado pelo MapBiomas, em 2019 foram desmatados 408,6 mil hectares de vegetação nativa do bioma, uma área equivalente a mais de 3 municípios do Rio de Janeiro. Sozinho, o Cerrado corresponde por 33,5% das áreas extintas no Brasil.  E segundo estudo da organização não governamental internacional WWF-Brasil, o agronegócio é o grande causador dessa destruição, pois o setor agropecuário já ocupa em torno de 40% das terras do Cerrado.

Uma das principais fronteiras do agronegócio do país, é o Matopiba, que segue sofrendo com o avanço das queimadas. Trata-se de uma área com 73 milhões de hectares de cerrados, dos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. Onze dos vinte municípios mais incendiados em todo o Cerrado desde o “dia do fogo” ficam nessa região. Dados do Inpe apontam que, desde o ano de 2018 tem aumentado as queimadas no Cerrado, principalmente na área de abrangência do Matopiba. De 1970 para cá, estima-se que a savana brasileira perdeu mais da metade de sua vegetação original, substituída gradativamente por pastagens, cana de açúcar, algodão, principalmente por soja e milho: mais de 10% da soja produzida no Brasil é cultivada no cerrado.

Campanha Radar das Queimadas no Cerrado - Para acompanhar mais de perto a situação das queimadas no Cerrado nos meses de setembro a novembro de 2020, a Articulação das CPT’s do Cerrado com apoio de parceiros, organizações e comunidades promovem a Campanha Radar das Queimadas no Cerrado. Durante esse período crítico que cresce as queimadas, os agentes, parceiros e colaboradores da CPT estarão nos territórios junto às comunidades e povos, fazendo o levantamento de informações e realizando divulgação dos impactos das queimadas no Cerrado e nas Comunidades Tradicionais.

Para ajudar nesse processo, foi elaborado um formulário online com doze questões, que tem por objetivo levantar dados e informações durante os meses de setembro, outubro e novembro, período da Campanha Radar das Queimadas no Cerrado.

Acesse o formulário e ajude na divulgação: clique aqui

 

Cerrado, você sabia?

O Cerrado abriga dezenas de comunidades indígenas e quilombolas, é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 23% do território nacional. Conhecido como o berço das águas, o Cerrado possui nascentes importantes que abastecem todo o território brasileiro, como o Rio São Francisco, Rio Tocantins, Rio Araguaia e tantos outros. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. É reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas, cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, a avifauna compreende cerca de 837 espécies, 1200 espécies de peixes, répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies).



*com informações do MMA, INPE, WWF, De Olho Nos Ruralista.

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