COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

“Romaria da Terra faz o povo reunir, numa luta sem guerra, nós lutaremos por ti (...)”. Foi ao som desse e outros cânticos que o Centro de Formação Nossa Senhora de Guadalupe, situado no município de Balsas, Maranhão, acolheu nesta quarta-feira (27) mais de 700 mulheres, homens, jovens e crianças, oriundos dos Cerrados brasileiros.

 

(Por Coletivo de Comunicação do Cerrado)

Às vezes com mais de 48 horas de viagem, chegaram de Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, Tocantins e do próprio Maranhão, para participarem do Encontro dos Povos e Comunidades do Cerrado e da 1ª Romaria Nacional do Cerrado, cujo tema é ‘Cerrado: os povos gritam por água e territórios livres!’.

Trazendo consigo frutos, mudas, sementes, produtos derivados e um leve cansaço da viagem, os presentes expressaram a alegria, esperanças e expectativas de participar desses momentos. A juventude do município de Correntinha, Bahia, por exemplo, relatou as 20 horas de ônibus para percorrer os 900 quilômetros de distância. “O mais emocionante foi a balsa, nós nunca tínhamos andado em uma. Deu medo, foi quando atravessamos do Piauí para o Maranhão. Fiquei com medo da balsa afundar, e aí o ônibus era muito baixo e não conseguia entrar na balsa”, relembra aos risos Mateus Silva (foto ao lado), da comunidade Aparecida do Oeste. O colega Altair Almeida da Silva, complementou dizendo que apesar do susto, no fim deu tudo certo. “Nós viemos cantando, conversando, tinha um rapaz no grupo que ficava vestido de gavião. Era uma fantasia cultural dele. O bacana foi que todo mundo partilhou a comida que tinha, tudo feito nas comunidades: farofa temperada, bolo caseiro, doce de leite”.

Para o mais jovem da turma, Lucas Pereira, de 16 anos, a expectativa em torno do Encontro e da Romaria é muito grande. “É nosso primeiro encontro desse tamanho, com esse tanto de gente. A expectativa é de gerar novos conhecimentos, conhecer coisas e pessoas novas”.

Por outro lado, dona Lindaura Rodrigo da Silva, do município de Barreiras, também na Bahia, espera que este encontro gere união e solidariedade entre povos para melhorar a situação do Cerrado brasileiro. “Algo muito importante é proteger nossas nascentes, porque se nossos rios morrem, nós não podemos viver. Todos dependemos da água, no campo e na cidade”, explicou Lindaura.

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No mesmo sentido, Miguelina de Oliveira Campos, da comunidade de São Manoel do Parí do Município de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso, expressou sua preocupação com relação à conservação do bioma no estado, cada vez mais ameaçado. “Em nossa comunidade o Cerrado ainda está bem conservado, pois quem cuida dele somos nós, agricultores familiares com práticas agroecológicas. Mas nem sempre foi assim, tivemos que aprender e nos conscientizar, e hoje sabemos que Cerrado é vida”, disse. Miguelina espera também que o Encontro e a Romaria permitam elaborar estratégias conjuntas entre estados para uma melhor preservação do Cerrado.

Daiane Pereira Nunes (foto ao lado), 16 anos, da comunidade Ribeirão das Pedras Acima do município mato-grossense de Jangada, contou que a viagem foi muito agradável, com cantos, conversas e jogos, além de compartilhar durante dois dias comidas tradicionais que cada um trouxe, como biscoitos de polvilho, farofa misturada com baru, jatobá e babaçu ou ainda paçoca de carne. “A parte triste da viagem é que nós vimos pelo caminho muito desmatamento, queimadas, rios já secos, animais mortos. Ver o Cerrado assim nos tira do sério. Mas durante esses dias espero me fortalecer, para continuar meus projetos, meus estudos. Eu gostaria que mais jovens tivessem a oportunidade de estar em um encontro como esse, para se aprofundarem e lutarem por seus direitos. Nós temos que continuar a luta dos nossos pais, temos que ocupar os espaços que estão por aí”, explicou.

Levando em conta essas e mais expectativas e esperanças, o Encontro e a Romaria continuarão até o sábado (30), com uma programação rica em apresentações culturais, palestras, e outras atividades. Na sexta-feira (29), a Praça da Liberdade oferecerá ao público a oportunidade de desfrutar da Feira de Economia Solidária do Cerrado e Troca de Sementes Crioulas, seguidas por uma linda noite cultural, com a festa dos povos.

‘Bendita és tu, ó Mãe Água, que nasces e corres no coração do Cerrado, alimentando a vida’.

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