COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Participantes do VIII Fórum Social Pan Amazônico (FSPA) e representantes de povos, organizações e movimentos populares, realizado entre os dias 28 de abril e 1º de maio de 2017 na Universidade Nacional San Martín, em Tarapoto, no Peru, manifestam solidariedade ao Povo Indígena Gamela. Confira:

 

Nós, participantes do VIII Fórum Social Pan Amazônico (FSPA) e representantes de povos, organizações e movimentos populares (Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, República Cooperativa da Guiana, Suriname, Colômbia, Peru e Guiana Francesa), realizado entre os dias 28 de abril e 1º de maio de 2017 na Universidade Nacional San Martín, em Tarapoto, no Peru, manifestamos solidariedade ao Povo Indígena Gamela, atacado brutalmente neste último domingo, 30, em seu Território no Povoado de Bahias, localizado no município de Viana, no Maranhão. Pistoleiros armados com facões, armas de fogo e pedaços de madeira feriram gravemente Inaldo Kum’tum Gamela, Adeli Ribeiro Gamela, e José Ribeiro Gamela. Além deles, mais de 10 indígenas Gamela também foram feridos.

Não mais suportando a violenta invasão ao seu Território, os indígenas intensificaram sua luta e decidiram por retomar seu Território sagrado. Todavia, em contrapartida, a empreitada criminosa dos que querem ver os indígenas extintos vem tomando força e ficando cada vez mais explícita e violenta.

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O governo do Maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis. Indigna-nos os discursos de incitação ao ódio, racismo e a violência sistemática contra os povos indígenas, o que foi feito pelo deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) ao conceder entrevista em rádio local após a retomada feita pelos Gamela no dia 28.

Preocupa-nos ainda o alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. Treze pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

Exigimos das autoridades, dos Governos Estadual e Federal, a imediata apuração das responsabilidades, a punição exemplar dos culpados e agilidade nos procedimentos de demarcação da Terra Indígena Gamela.

Tarapoto – Peru

1º de maio de 2017.

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