COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

A 32º edição do relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conflitos no Campo Brasil 2016, será lançada amanhã, dia 27 de abril, às 14h00 no horário local (16h00 no horário de Brasília), durante o VIII Fórum Social Pan Amazônico (FSPA), no Auditório 5 da Universidade Nacional de San Martín, em Tarapoto, no Peru.

 

“Territorialidade e Povos Amazônicos – Andinos; Cuidado dos bens da natureza e propostas alternativas e processos de resistência ao modelo de desenvolvimento capitalista” é o tema da oitava edição do FSPA. Realizado em plena Amazônia peruana, o evento será aberto oficialmente na sexta-feira, 28, no Distrito de Lamas, com uma cerimônia do povo indígena Kichwa-Lamista e a participação das delegações nacionais e internacionais - são esperadas cerca de 1.500 pessoas. O Fórum termina no dia 1º de maio.

É neste contexto de experiência de lutas e resistências dos amazônicos e andinos que os conflitos no campo que assolam a Amazônia brasileira serão denunciados. A CPT vem denunciando sistematicamente a concentração e a escalada da violência nos nove estados que compõem a Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo, destes, 48 aconteceram na Amazônia. Apenas no estado de Rondônia, 21 pessoas foram assassinadas no ano passado. E o ano de 2017 já começou violento, com 20 assassinatos em apenas três meses e meio - na última semana, no dia 19 de abril, 9 trabalhadores rurais foram cruelmente assassinados no município de Colniza, no Mato Grosso.

Amazônia brasileira - O número de pessoas presas em conflitos no campo em 2016 teve um aumento de 185%. Do total de 228 prisões, 192 foram na região da Amazônia (84%). Sendo, 88 pessoas presas somente em Rondônia, e 57 no estado do Acre. A Amazônia Legal também lidera o ranking de pessoas ameaçadas de prisão, são 257 do total de 265. Dois estados concentram essa estatística: 124 casos no Pará, e 121 em Rondônia. Números que mostram que a criminalização dos povos e movimentos do campo chegou a patamares assustadores em 2016. "Lutar não é crime", é o tema desta edição da publicação da CPT.

A Amazônia brasileira também concentrou, em 2016, 50 das 74 das tentativas de assassinato; 391 das 571 agressões físicas, e 171 das 200 pessoas ameaçadas de morte. O estado de Rondônia, além de concentrar o maior número de assassinatos e de presos, foi o segundo estado com o maior número de pessoas agredidas fisicamente (141 de um total de 571).

FSPA - Com objetivo de articular os movimentos sociais, comunidades tradicionais e povos dos nove países da Bacia Amazônica (Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, República Cooperativa da Guiana, Suriname, Colômbia, Peru e Guiana Francesa) foi criado o Fórum Social Pan Amazônico (FSPA).

O Fórum também tem como objetivo aproximar culturas, quebrar o isolamento das lutas de resistência, fortalecer o combate anti-imperialista, desenvolver a autonomia dos povos, promover a justiça social e ambiental, se opor aos modelos de desenvolvimento predatórios e nocivos aos povos que vivem na Pan-Amazônia, além de discutir alternativas para a construção e promoção da justiça e igualdade social.

Edições - Até hoje já foram realizados sete edições do Fórum Social Pan Amazônico: Belém/Brasil (2002 e 2003); Ciudad Guayana/Venezuela (2004); Manaus/Brasil (2005); Santarém/Brasil (2010); Cobija/Bolívia (2012); Macapá/Amapá (2014).

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