COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, o povo indígena Gamela, do município de Viana, no Maranhão, acolheu dezenas de pessoas para o 2º Encontro dos Povos e Comunidades Tradicionais. Confira a reportagem e a Carta do Encontro:

 

(Fonte: Vias de Fato) 

Um grupo formado por 70 diferentes comunidades do Maranhão, reunindo indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, assentados e posseiros, organizou um encontro, neste último final de semana, no município de Viana, na comunidade de Taquaritiua. Na ocasião, eles avançaram na construção de uma rede de povos e comunidades tradicionais, com o objetivo de articular lutas e resistências, diante do avanço do latifúndio, da grilagem de terras, da mineração e de todo um modelo de desenvolvimento que impera em nossa região.

 

O evento contou com o apoio e assessoramento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Rede Justiça nos Trilhos, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), do Movimento dos Quilombolas do Maranhão (MOQUIBOM) e do Núcleo de Extensão e pesquisa com populações e comunidades Rurais, Negras Quilombolas e Indígenas da Universidade Federal do Maranhão (NURUNI).

Esta ação de camponeses e povos tradicionais, também não ficou indiferente à violência cometida, nos últimos dois meses, por alguns integrantes da Polícia do Maranhão (com casos de execução e de tortura), tema que colocou em conflito o governo Flávio Dino e algumas das mais reconhecidas organizações de defesa dos direitos humanos. O documento lançado ao final do Encontro denunciou o antigo “genocídio da juventude negra promovida, inclusive, por agentes do Estado”. Abaixo, a carta lançada ontem (01/03/15).

 

II Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais 

Territórios Livres – Tecendo o Bem Viver!

Ao som de maracás e tambores, desde o dia 27 de fevereiro até o dia 01 de março de 2015, nós, povos e comunidades tradicionais, nos encontramos no território do povo Gamela, em Viana, Maranhão, para compartilhar nossas caminhadas. Viemos de muitos lugares e carregamos em nossa memória muitas vidas, todas as vidas e fizemos desta Casa de Convivência do Povo Gamela um Lugar bonito, expressão do Bem Viver.

Maracás, tambores e cantos insurgentes evocam nossa ancestralidade fazendo a gente se encontrar dentro da gente mesmo e reafirmar nosso modo de vida. Nossos encantados, santos, caboclos e orixás nos acompanham e animam nossas lutas e resistências pela defesa dos nossos territórios.

Compartilhamos nossos saberes e fazeres, o trabalho em mutirão, o respeito pelo tempo da terra, o cuidado com nossas águas, nossas matas, com os animais... Compartilhamos também nossas preocupações, angústias, temores, diante das diferentes ameaças e violências que nos cerca. Denunciamos o avanço do latifúndio, a mineração, o genocídio da juventude negra, promovida, inclusive, por agentes do Estado. Denunciamos ainda os megaprojetos, promotores de um suposto desenvolvimento, apoiados pela retirada dos nossos direitos, via poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. 

Diante desta realidade, estamos assumindo um compromisso de tecer uma rede de povos e comunidades tradicionais com o objetivo de articular nossas lutas e resistências em vista da garantia e preservação dos nossos modos de vida e territórios demarcados pelos nossos pés.

Taquaritiua - Viana (MA), 01 de Março de 2015 

 

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