COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Tocantinense, Fátima Barros era a nona filha de uma família de dez irmãos. Filha de Cantidio Barros e Vicência Barros, Maria de Fátima Batista Barros, professora e uma das maiores líderes quilombolas da região Amazônica, é mais uma vítima da pandemia da Covid-19 e da inoperância do governo brasileiro. Ela faleceu nesta terça, dia 6, no Hospital Regional de Augustinópolis (HRAug). Já havia perdido um irmão para a mesma doença. “Nós somos povo Bantu, nós não morremos, nós sempre voltaremos. Nós somos os guerreiros de Zumbi e Dandara, nós somos a força do quilombo!”, disse ela em um dos vários Encontros de Povos Tradicionais dos quais fez parte. Fátima presente!


Confira Nota da Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da CPT, da CPT Araguaia-Tocantins e da Articulação das CPT's do Cerrado:

NOTA DE PESAR E INDIGNAÇÃO
Fátima Barros Presente!

Nós da Comissão Pastoral da Terra recebemos com muita tristeza e indignação a notícia da morte de nossa companheira MARIA DE FATIMA BATISTA BARROS, liderança do Quilombo Ilha de São Vicente – Araguatins (TO) e da Articulação Nacional dos Quilombos. Vítima da Covid-19 – como também um irmão e uma tia –, mas, antes de tudo, da inépcia calculada da necropolítica deste governo Bolsonaro.

Fátima era uma mulher negra destemida e muito consciente da importância do povo negro e das mulheres do campo na luta pelo resgate da dívida histórica que este país tem com os descendentes dos arrastados de África e por outro modo de nos relacionar entre nós e com a Mãe Terra, com respeito e humildade e soberania popular. Ela dizia: "eles nos roubaram tudo: roubaram nosso ouro, prata, cultura, dignidade, honra, e nos marcaram com ferro e fogo e derramaram nosso sangue, mas nunca vão nos calar. Somos resistência, raízes que não conseguiram destruir, reconstruiremos tudo outra vez" (Encontro das Mulheres do Cerrado, 2020).

Com Fátima trilhando hoje novos e misteriosos caminhos, seguiremos em sua e nossa Caminhada, até completar o Jubileu da Terra pela qual ela tanto batalhou: será, sim, repartir o chão, pôr os pés na Terra, pôr as mãos no chão, resgatar a Terra que é de cada irmão, porque a Terra é do Senhor; e a vocês, remanescentes de negros quilombolas, enfim, Terra Brasilis seja nossa e seja vossa; depois de tanto sangue, depois de tanta guerra, a Terra será negra e os negros terão Terra (cf. Jubileu da Terra, de Roberto Malvezzi/CPT)!

Na dor e na fé, solidários/as com seus familiares e sua comunidade, não desistiremos! Pelo fim da pandemia, pelo fim deste desgoverno fascista e genocida! Por você, Fátima!

 

Araguaína (TO) e Goiânia (GO), 06/04/2021.

CPT Regional Araguaia-Tocantins

Diretoria e Coordenação Nacional da CPT

Articulação das CPT’s do Cerrado