COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

A vítima dessa vez foi Kátia Martins, presidente da Associação dos Trabalhadores (as) do Assentamento 1º de Janeiro, em Castanhal, nordeste paraense.

 

(Por Fátima Gonçalves, CUT Pará)

A trabalhadora e líder rural, Kátia Martins, 43 anos, foi assassinada com cinco tiros numa embosca ocorrida na noite desta quinta-feira (4) em sua própria casa, localizada no Assentamento “1º de Janeiro”, quase na divisa dos municípios de Castanhal e São Domingos do Capim, no nordeste paraense, a 130 quilômetros de Belém.

Kátia era presidente da Associação de Agricultores Familiares do assentamento e foi assassinada por volta das 20 horas na frente do neto de apenas oito anos. Segundo Pablo Esquerdo, do Sindicato dos Assalariados Rurais de Castanhal, o crime tem todas as características de uma execução. Os dois covardes assassinos surgiram de moto no momento em que ela chegava em casa após uma reunião. De acordo com testemunhas, Kátia chegou a correr e pediu para que o neto fosse poupado.  

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O assentamento “1º de Janeiro” está localizado no quilômetro 20 da PA-127, onde, há cinco anos, vivem 94 famílias. E Kátia sempre se destacou como liderança na área. Pablo Esquerdo observou que o local é uma área de conflito e que a Kátia Martins já tinha sofrido ameaças. “Existem grupos rivais da associação que queriam a terra para vender”, disse.

Mas Kátia lutava para garantir uma vida de qualidade para as famílias assentadas. Pela manhã, inclusive, ela tinha participado de uma reunião para conseguir alguns projetos para o assentamento através do Banco da Amazônia (Basa).

O corpo dela vai ser velado por poucas horas no assentamento e depois segue para ser sepultado em Capanema, município também do nordeste paraense, onde moram seus familiares.

A morte de Kátia Martins é mais uma a engrossar a triste estatística de mortes por conflitos agrários no Pará. E a violência vem recrudescendo nos últimos anos no estado. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, em 2014 ocorreram 36 mortes no Brasil, subindo para 50 em 2015, enquanto que no ano passado foram registradas 61 mortes.

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