COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Lançada no FICA e na CNBB, a Campanha, que teve início com a CPT, hoje já reúne mais de 40 organizações. Duração, a princípio, será de dois anos e meio.

 

(Por Elvis Marques - Setor de Comunicação da Secretaria Nacional da CPT e Coletivo de Comunicação do Cerrado)

Para falar da Campanha em Defesa do Cerrado, cujo tema é Cerrado, berço das águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, é necessário fazer uma breve viagem no tempo. Bom, comecemos pela Articulação das CPT’s do Cerrado – que reúne os Regionais da CPT presentes nesse bioma. A ideia de realizar uma campanha surge a partir dessa articulação em contato com os povos e comunidades do Cerrado. Nos encontros, regionais e/ou estaduais, os povos do Cerrado sempre partilharam seus anseios e esperanças em relação ao bioma. Destacavam que era preciso realizar ações conjuntas. Algo que mostrasse seus modos de vida no Cerrado, mas que também denunciasse a destruição desse espaço e de toda sua riqueza.

Uma Campanha em Defesa do Cerrado, das Águas e da Vida puxada apenas pela CPT? A ideia surgiu aqui, mas começou a ganhar as comunidades do Cerrado, organizações ambientais ou não, pastorais, entidades religiosas, movimentos sociais, ONGs e por aí vai. Hoje são 43 diferentes organizações que compõem a Campanha. São chamadas de “Organizações Promotoras da Campanha”.

Além disso, a nível estadual, as organizações e as comunidades do Cerrado têm se articulado com diversos parceiros e parceiras. A Campanha tem envolvido inúmeras pessoas. Mas o desafio é ir além. Atingir populações que estão fora do bioma Cerrado. Gente, que em sua maioria, não sabe da importância desse bioma para sua vida.

“A campanha tem várias dimensões. Uma primeira é dar visibilidade à presença da diversidade humana, cultural e natural do Cerrado. Outra é visibilizar a importância do bioma para o conjunto da vida em outras regiões, isso quanto à questão da água, por exemplo. E ainda, por outro lado, mostrar como tudo isso está em risco. Por isso não é só uma campanha dos povos e organizações do Cerrado, mas de todos brasileiros”, destaca Gilberto Vieira, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização que compõe a Campanha.

A água é o tema central da Campanha, mas como se deu essa escolha? O Cerrado é conhecido como a “caixa d´água do Brasil” e “berço das águas”, pois é neste espaço territorial onde nascem as três principais bacias hidrográficas da América do Sul: Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. “Nós dependemos de água para viver. 70% do nosso corpo é agua”, ressalta Isolete Wichinieski, da CPT Goiás. “Defender o Cerrado é preservar as águas, é preservar a vida e todos e todas são responsáveis por isso”, completa.

Para Isolete, a discussão e as ações em defesa do Cerrado, neste momento, “pretendem trazer e evidenciar a luta dos povos na convivência, na preservação e conservação deste bioma. Acima de tudo pela sua função estratégica de fornecer água. Outro fator é a rica biodiversidade e os diversos povos e comunidades tradicionais. Precisamos defender o Cerrado como nosso patrimônio histórico, cultural e biológico”, afirma.

Principais linhas de ação

A Campanha, a princípio, terá dois anos e meio de duração. Para esse período foram definidas – tanto pelas CPT’s do Cerrado quanto pelas organizações que compõem a Campanha – as principais ações que nortearão a Campanha.  No segundo semestre de 2016 aconteceram os lançamentos da Campanha (Veja a seguir).

E neste ano de 2017 uma das principais pautas é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 504/2010, que reconhece os biomas Cerrado e Caatinga como Patrimônio Nacional. Para pressionar o Congresso a debater e aprovar essa matéria, será lançada, em breve, uma petição online.

Outra problemática que não poderia ficar de fora da Campanha é o Projeto de Desenvolvimento Agropecuário (PDA) do MATOPIBA, que atinge os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, e Bahia.

Desde sua criação em 2015, o povo tem se organizado e buscado formas de resistência, uma delas é conhecer o projeto e debater seus impactos. Em Araguaína (TO), por exemplo, há pouco mais de um ano, ocorreu o Encontro Estadual dos Povos e Comunidades do Cerrado, que reuniu cerca de 200 pessoas. Seminários e manifestações têm acontecido nos estados impactados. Frentes em defesa do Cerrado foram criadas. E em novembro do ano passado ocorreu, em Brasília, o Seminário Nacional sobre o MATOPIBA. Unidos, os povos do Cerrado têm dito, nos mais diversos espaços, “Não ao MATOPIBA”.

Ainda em 2017 a Campanha também centra esforços na discussão e elaboração de uma proposta de Moratória para o Cerrado. Além disso, a Campanha da Fraternidade (CF), que tem como tema “Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida”, é vista como uma oportunidade ímpar para se discutir o Cerrado e os povos que nele vivem.

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Este ano será encerrado com a Romaria Nacional do Cerrado, que acontecerá no Maranhão. Evento esse que surgiu após realização de romarias estaduais voltadas para bioma. Agora é a vez de reunir todo esse povo do Cerrado em uma só Romaria.

Já em 2018, ano de encerramento da Campanha, deve acontecer um Tribunal Popular Internacional que julgará os crimes contra o Cerrado e toda forma de vida existente nesse espaço.

São objetivos da Campanha em Defesa do Cerrado:

  1. Pautar e conscientizar a sociedade, a nível nacional e internacional, sobre a importância do Cerrado e os impactos dos grandes projetos do agronegócio, da mineração e de infraestrutura;

    2.Dar visibilidade à realidade das Comunidades e Povos do Cerrado, como representantes da sociobiodiversidade, conhecedores e guardiões do patrimônio ecológico e cultural dessa região;

    3. Fortalecer a Identidade dos Povos do Cerrado, envolvendo a população na defesa do bioma e na luta pelos seus direitos;

    4.Manter intercâmbio entre as comunidades dos Cerrados brasileiros com as comunidades de Moçambique, na África, impactadas pelos projetos do Programa Pró-Savana.

Lançamentos

Desde junho de 2016, a CPT começou a divulgação da Campanha nos eventos em que participava, como na III Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins, na IV Festa Camponesa de Silvânia (GO), na Romaria dos Mártires, em Ribeirão Cascalheira (MT), e na Romaria de Bom Jesus da Lapa.

No dia 17 de agosto de 2016, a Campanha foi lançada oficialmente no Fórum de Meio Ambiente do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que ocorre todos os anos na Cidade de Goiás (GO). Participaram do evento o pesquisador Altair Sales Barbosa; Elziene de Abreu, do Coletivo de Fundo e Fecho de Pasto do Oeste da Bahia; a liderança indígena Antônio Apinajé, do Tocantins; e Isolete Wichinieski, da CPT. Mais de 100 pessoas estiveram presentes.

"Participo da Campanha em Defesa do Cerrado porque entendo que o Cerrado é o berço das águas do Brasil e que todo nosso país depende do bioma. Salvando o Cerrado estamos salvando as nossas vidas", destacou, no evento, Willian Clementino, vice-presidente da CONTAG, organização que também faz parte da Campanha.

Pouco mais de um mês depois, no dia 27 de setembro, na sede da CNBB em Brasília, ocorreu coletiva de imprensa e debate para lançamento da Campanha em Defesa do Cerrado. “Foi um momento de suma importância, pois o Cerrado clama pela permanência. A campanha ajudará a conscientizar as pessoas que ainda não perceberam o quanto devemos defender o Cerrado”, enfatiza Elziene de Abreu, do Coletivo de Fundo e Fecho de Pasto do Oeste da Bahia.

Documentário “Sertão Serrado”

Sertão Serrado, documentário de 30 minutos, é um dos materiais de conscientização e denúncia produzidos para a Campanha. O curta foi apresentado durante a Mostra de Lançamento Nacional do FICA. É uma produção da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Essá Filmes, com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e do Gwatá – Núcleo de Agroecologia e Educação no Campo da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

"Cada ser humano tem de se colocar na luta pela vida e meio ambiente, não só porque é nossa vida que está em jogo. É a nossa alma", destacou, no lançamento do vídeo, o ator e membro do Movimento Humanos Direitos (MHuD), Eduardo Tornaghi, que emprestou sua voz ao documentário.

Para Dagmar, diretora do curta, essa é uma importante ferramenta de informação. "O documentário trata da destruição do bioma, da dizimação dos povos tradicionais, que são as pessoas que protegem o meio ambiente e que precisam da floresta para sobreviver. Ele [o documentário] tem um papel de informação, que a grande mídia não faz hoje", avalia.

Quem faz parte da Campanha?

Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil – CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI –  CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI – CESE –  CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN – FETAET - FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA –  Via Campesina – FIAN Brasil.

E mais organizações ainda podem aderir à Campanha. Basta entrar em contato através dos endereços no fim desta matéria.

Coletivo de Comunicação do Cerrado

Outro marco fundamental para a Campanha, sem dúvida, foi que desde o início de 2016 comunicadores da CPT e de organizações parceiras doam tempo e conhecimento para a Campanha em Defesa do Cerrado, formando, assim, o Coletivo de Comunicação do Cerrado. De forma voluntária, 15 pessoas têm se reunido para pensar estratégias de comunicação e materiais para a Campanha, como o Plano de Comunicação.

 Como se envolver na Campanha? 

  • Ajude a divulgar a Campanha através seus canais de comunicação (Veja os links abaixo);
  • Tendo algo interessante relacionado ao Cerrado, como imagens, vídeos, textos, músicas e outros, envie para a Campanha;
  • Denuncie: Você tem conhecimento do Cerrado sendo destruído ou de violências contra as comunidades? Envie também para a Campanha;

 Materiais de divulgação

Vários materiais de divulgação da Campanha e/ou de formação já foram produzidos. Temos Cartilha de Encontros do Cerrado, folhetos, cartazes, banners, infográfico sobre o MATOPIBA, documentário Sertão Serrado, documentário MATOPIBA, vídeos, spots de rádio, textos analíticos e diversos materiais para internet.

 Quer utilizar esses materiais? Entre em contato com a Campanha através dos endereços abaixo.

Conheça a Campanha:

Site: www.semcerrado.org.br

Facebook: @CampanhaCerrado

E-mail: semcerrado@gmail.com