COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Cerca de sete mil pessoas participaram desta 38º Romaria da Terra e das Águas, realizada entre os dias 3 e 5 de julho, em Bom Jesus da Lapa, na Bahia. A Romaria como espaço ecumênico e popular chegou a sua 38ª edição com o tema: "Defender as águas, um direito sagrado".

 

(Fonte: CPT Bahia)

A Romaria da Terra e das Águas teve sua abertura na sexta-feira (03 de julho) na esplanada do santuário de Bom Jesus. No sábado (04 de julho), a diversidade, a reflexão e a troca de experiência foram a marca registrada da romaria através dos plenarinhos.

O plenarinho das Crianças como tradição da Romaria da Terra, os participantes foram protagonistas na construção e intervenção ativa nos processos formativos. Este ano o plenário contou com a participação de 80 crianças e 150 adultos. O plenarinho teve como homenageada a irmã Inês. As crianças expressaram das formas mais diversas sobre o tema, através de pinturas, frases, conversas. Educando e construindo responsabilidade no cuidado com água para a preservação do planeta.

A animação, diversidade e interação foram marcas do Plenarinho da juventude. O plenarinho que teve como Tema: Juventude e as Águas – Lutas e Vidas Sagradas; este ano homenageou Irmã Virginia e Frei Danilo. O plenário teve um público de 600 pessoas. O plenarinho debateu temas importantes para a vida da juventude e sociedade brasileira. Destaque para a questão da redução da maioridade penal. Os jovens denunciaram e repudiaram a medida ante-constitucional tomada por Eduardo Cunha e também a atuação da maioria dos congressistas que votaram favoráveis a uma política que não soluciona os problemas da juventude e da sociedade brasileira, pelo contrário, agrava. Destacaram ainda, os problemas ambientais e a atual situação da água que atinge toda a sociedade e, principalmente, a juventude trabalhadora.

O jovem Danilo Padre, 22 anos, da Juventude Missionária, da Arquediocese de Vitória da Conquista, participou pela primeira vez e relatou que “o tema apresentado foi muito importante, pois traz as problemáticas sobre as questões ambientais”.

Outro estreante em romarias é o jovem João Paulo, 21 anos, da Pastoral da Juventude de Barreiras. Ele acredita que as reflexões apresentadas são importantes “para fortalecer as mobilizações e articulações”.

O Plenarinho sobre Fé e Política das águas, foi inspirado pelos patronos Frei Moisés e a Irmã Eci missionária de Jesus Crucificado, ambos vivem uma vida dedicada ao serviço aos mais necessitados, comprometidos também com a defesa do meio ambiente e das águas.

Os romeiros e romeiras participantes foram provocados por Nancy Cardoso, Pastora metodista, da CPT, a luz da Bíblia a romper com uma lógica de fé individual, possessiva e competitiva para uma fé ativa, que se expressa na ação, comprometida com os problemas da realidade e com a conquista dos direitos. “Jesus nos convoca ao movimento ‘Levanta e anda’ (Jo, 6) . Fazer política é se organizar e a fé leva a se expressar de forma ativa e organizada”, disse a pastora.

“Em algumas comunidades a luta é a terra, em outras a água, em outras a política, mas a gente não pode esperar que nenhum juiz venha resolver os nossos problemas. Quem resolve é a gente mesmo, através da luta, persistência e organização”, (José Cruz, Gauanambi-BA).

Na fila do povo, muitas vozes fizeram-se ouvir, exprimindo diversos problemas e lutas das comunidades tradicionais, como os fundos e fechos de pasto que lutam por seus territórios, foram levantadas questões relacionadas a situação do congresso brasileiro, a reforma política e democracia, ao agrotóxico, a destruição causada pelas empresas mineradoras e eólicas, as estratégias de luta do povo na defesa de seus direitos e casos de amor com os rios, com as fontes de água que temos e a certeza que Deus nos chama a defender cada fonte.

Protegido pela sombra de uma grande mangueira aconteceu o plenarinho terra e território, com o tema: Comunidades Camponesas – Guardiãs das Águas! Com a presença de mais de 500 pessoas de várias comunidades tradicionais da Bahia, representados por quilombolas, indígenas e Fundos e Fechos de Pasto.

A preocupação de todas as comunidades, de norte a sul, de leste a oeste, ecoava num grito de dor e esperança como “guardiãs da água!”. Dor pelas ameaças constantes da incansável ambição de empresas que fazem do território mercadoria – assédio facilitado pelo Estado; e esperança por ainda resistir a sedução do Capital.

O Índio Pataxó Aruã denunciava o retrocesso que estamos vivendo na política brasileira, representada por um congresso conservador, fundamentalista e ditatorial; aliado a um Estado burocrático que não compreende o que é território tradicional, afirmando que “só através da terra que garantimos todos os nossos direitos!”

O Assessor Ruben Siqueira da CPT ao referenciar e encíclica do Papa Francisco afirmava que o ser humano faz parte de um sistema de vida interconectado e que sem essa harmonia que as comunidades tradicionais têm com a natureza em torno da qualidade de vida, o planeta está ameaçado, vendo no rosto de cada pessoa ali presente a esperança por unir em torno de uma temática comum “defender as águas, um direito Sagrado, mesmo que muitos estejam seduzidos por esse capital que mercantiliza a vida”.

Na Igreja de Bom Jesus dos Navegantes mais uma vez foi o local de destaque para o plenarinho do Rio São Francisco que tratou sobre o plano de bacia e saneamento. O plenário contou com a participação de 200 pessoas homenageando Irmã Maria Rodrigues.

Para a romeira Maria da Luz (53 anos), do Clube das Mães Santa Izabel, Carinhanha-Ba, “o plenário contribuiu para a tomada de consciência da real situação que estamos vivenciando”. Ainda segundo ela, a partir das reflexões feitas em toda a Romaria, pretende “[...] levar informações para as pessoas que não puderam participar, através de palestras, o incentivo a população a participar das audiências na câmera de vereadores e fazer movimentos reivindicativos”.

Ainda neste dia ocorreu a caminhada dos Romeiros até o Rio São Francisco para reflexão e proposição conjunta sobre a situação atual do Rio São Francisco. Na noite cultural a animação e muito forró agitaram e encerraram com muita qualidade este trabalhoso e intenso dia.

O domingo, dia 05, foi o dia do plenário final e também o encerramento da 38ª Romaria. A mensagem da romaria ficou no forte apelo pela fé e foco na luta para que as comunidades de forma integrada consiga destruir “a grande estatua do poder, confeccionada com ouro, prata, bronze e ferro, mas que tem os pés de barro”, metáfora expressa pela Pastora Nancy. O envio houve a partilha das águas de todos os cantos e recantos que geram vida na Bahia e no Brasil.

 

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