COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

 

Mais de 15.000 romeiros e romeiras reuniram-se, nesta terça-feira de Carnaval, dia 21, na comunidade de Bom Princípio Baixo, interior do município de Santo Cristo. A 35ª Romaria da Terra tratou o tema “Agricultura familiar camponesa: vida com saúde”.

 

A Romaria foi preparada e organizada pela Comissão Pastoral da Terra em conjunto com a Diocese de Santo Ângelo, que celebra seu Jubileu de Ouro de história. Evento já tradicional do calendário religioso do RS, a Romaria cumpriu uma de suas tarefas, a de ser uma voz profética na sociedade.

A presença de 9 bispos, dezenas de padres e demais religiosos, políticos e lideranças atesta a certeza e a justeza da realização das Romarias da Terra. Esse espaço já tradicional no calendário religioso do RS fala claro ao denunciar os desmandos que atingem o povo sofrido e busca anunciar as boas novas, como o faz, ao incentivar a agricultura sem uso de agrotóxicos e o associativismo.

Num contexto social marcado por incertezas e crises a Romaria reafirmou sua fé na proposta da Agricultura familiar como caminho para a produção de alimentos saudáveis.

A Romaria congregou romeiros e romeiras de diferentes Igrejas cristãs, revelando seu caráter ecumênico. Em sua preparação e realização representou um espaço de parcerias entre comunidades, entidades da sociedade civil, organizações populares e o poder público.

A comunidade de Bom Princípio Baixo foi escolhida para sediar essa Romaria, porque ali existem expressivas experiências de práticas da agricultura familiar. Iniciativas de associativismo e cooperativismo e formas marcantes de organização comunitária são também características significativas da maioria das comunidades do município de Santo Cristo, conhecido como terra do homem da terra.

O pregador dessa Romaria da Terra foi o bispo D. Guilherme Werlang, bispo da Diocese de Ipameri, GO e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB. Em sua fala foi firme ao condenar o latifúndio que expulsa o homem que tira seu sustento do campo e o uso massivo de agrotóxico que gera os males que a sociedade enfrenta.

A presença do governador do Estado, Tarso Genro, representou um reconhecimento à caminhada de organização e das lutas dos movimentos sociais e populares.

A 35ª Romaria da Terra abordou questões muito sérias e complexas presentes na sociedade. Propôs o debate sobre os rumos da agricultura familiar. Denunciou os sistemas de produção com uso intensivo de agrotóxicos, nocivos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Questionou os projetos de construção das grandes barragens. Alertou para a insuficiência das políticas públicas de sustentação do trabalho na agricultura familiar. Apontou caminhos alternativos para a permanência e sustentação dos jovens no espaço da agricultura familiar.

 

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