COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Romaria realizada em Itapipoca (CE) reuniu mais de 20 mil pessoas no último domingo, 7 de agosto. Segundo a Carta Final da Romaria, o evento quis denunciar "os investimentos do poder público no agronegócio, nos agrocombustíveis, na produção de energia, na mineração e na infra-estrutura para o turismo que agride o território, a cultura e economia”.

 

(Francisco Vladimir, membro do Serviço Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Fortaleza, para a Adital.)

A 15a Romaria da Terra, promovida neste último domingo, 7 de agosto, pela Comissão Pastoral da Terra do Ceará, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Nordeste I, na Diocese de Itapipoca, com o tema "No Testemunho dos mártires: terra, água e dignidade” quis celebrar as lutas, as conquistas, a fé, a esperança do povo de Deus no Ceará. A atividade reuniu cerca de 20 mil pessoas.

Além disso, quis seriamente denunciar "os investimentos do poder público no agronegócio, nos agrocombustíveis, na produção de energia, na mineração e na infra-estrutura para o turismo que agride o território, a cultura e economia”, segundo destaca a Carta da 15a Romaria da Terra.

Ao mesmo tempo, a Romaria colocou nas mãos do Senhor as várias práticas de produção da agricultura familiar camponesa, na gestão sustentável dos territórios e organização política de grupos, comunidades, movimentos populares. Assim, os romeiros e romeiras das nove dioceses do Estado do Ceará rezavam: "Ó Jesus, sertanejo e irmão, se nos expulsarem da terra e nos privarem da água e dos direitos, olha para nós, Senhor, e nos livra de tal sujeição”.

Não tem como não expressar a alegria do encontro das pessoas, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), das pastorais sociais, dos organismos da Igreja, dos movimentos sociais do campo e da cidade. Eram mais de vinte mil pessoas. Vinte mil pessoas que entoavam cantos e rezavam a Deus e a Maria, ao Deus da libertação e a Maria que derruba dos tronos os poderosos e exalta os humildes.

Com orações, denúncias, risos, partilha, solidariedade e, acima de tudo, com o desejo de ver um mundo novo, uma cidade nova, uma Terra sem males, conforme a Carta da 15ª Romaria da Terra, "os romeiros e romeiras da terra reafirmaram o compromisso com a luta pela reforma agrária; a resistência ao atual modelo de desenvolvimento; a luta pela defesa da soberania alimentar, soberania energética; pelo uso da água como direito de todas as formas de vida. Reafirmaram, também, a defesa da luta dos povos originais - indígenas, quilombolas e sertanejos - pelo seu reconhecimento e dignidade”. A Carta reafirma o compromisso pastoral de continuar "com as mãos na massa, os pés firmes no chão, como povo de Deus que reza, mas coloca a oração no chão da terra e da vida”.

Dom Antônio Roberto Cavuto, bispo da Diocese de Itapipoca, em suas falas, chamou a atenção para a importância das lutas e do compromisso da Igreja e de sua ação pastoral com o homem e a mulher do campo, com as lutas diárias por libertação, contra a exploração dos poderosos e a falta de atenção dos governos.

A Romaria da Terra acontece em consonância com as várias atividades realizadas pelas Pastorais Sociais, CEBs e Organismos da Igreja no Ceará e no Brasil, assim como o Grito dos Excluídos. Nos próximos anos as Pastorais Sociais realizarão a 5a Semana Social Brasileira, cujo lançamento será no dia 11 de agosto, em Brasília e, mais uma vez, reunirá as forças eclesiais sociais, mostrando que é possível fazer um novo acontecer e realizar na Terra o Reino de Deus.

A Semana Social Brasileira acontecerá em um importante processo que só terminará em 2013. São várias as atividades a serem realizadas, como também vários fóruns e redes.

Em Fortaleza, com as lutas atuais da cidade, as Pastorais Sociais e os Organismos da Igreja atuam e se comprometem com as causas populares no desejo de uma vida melhor para as crianças, as mulheres, a população de rua, os catadores, os migrantes, os carcerários,com destaque para as várias situações causadas pelos megaeventos, com possíveis remoções provocadas pelasobras da Copa do Mundo 2014. A Pastoral do Migrante,em especial, tem se somado ao Comitê Popular da Copa em Fortaleza para ser presença junto às comunidades atingidas e apoiá-las.

Olhemos para frente com a bênção e proteção de Nossa Senhora das Mercês, padroeira da Diocese de Itapipoca, evocada várias vezes durante a Romaria da Terra, para que tenhamos a coragem, a força, a disponibilidade e alegria de seguirmos na fé e no compromisso dos mártires. Presentes na luta, vejamos no outro Jesus, Javé, o Deus dos pobres, do povo.

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