COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

"Hoje eu vou dormir com esperança, 
porque eu não tava acreditando mais em nada. 
Eu já tinha desistido por dentro". 

(Morador da comunidade Divino Pai Eterno)

Por CPT Regional Pará

 

São Félix do Xingu, 16 de abril de 2024.

Hoje foi publicada a Portaria nº 454, de 10 de abril de 2024, criando o Projeto de Assentamento Divino Pai Eterno. Um passo importante foi dado pelo Estado no processo de democratização do acesso à terra.

 

É uma data histórica para a luta pela terra no Alto Xingu e uma conquista imensurável para 160 famílias que resistiram à violência ao longo de 16 anos e construíram uma comunidade sólida e organizada para lutarem por um pedaço de chão.

 

Neste dia, é preciso invocar o nome de Rogério de Jesus Ferreira, de Jocelino Braga da Silva, de Francisco Leite Feitosa, de Félix Leite dos Santos, de Osvaldo Rodrigues da Costa, de Ronair José de Lima, e de Lindomar Dias de Souza. Estes trabalhadores rurais pertenciam à Comunidade Divino Pai Eterno, eram lideranças, e foram assassinados, um a um, ao longo destes anos. A omissão e a morosidade estatal em por fim ao conflito instalado na região causou a morte destes sete  trabalhadores e deixou a impunidade reinar. Nenhum mandante ou assassino foi julgado até hoje e as famílias ficaram à mercê da violência: foram agredidas, ameaçadas, humilhadas, expulsas de casa, com revólveres apontados para a cabeça de seus filhos. 

 

Organizadas, essas famílias denunciaram crimes, enfrentaram pistoleiros, e até grupos paramilitares com logística estruturada e patrocinada por latifundiários da região. Tiveram que enfrentar até a polícia em operações que tentavam criminalizá-las quando tudo o que precisavam era segurança, amparo e proteção do Estado, e respeito à dignidade.  

 

Neste dia, véspera do Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, reafirmamos a importância da democratização do acesso à terra. O combate às injustiças no campo passa pela priorização de uma política de reforma agrária que combata as estruturas fundiárias coloniais – geradoras de desigualdades pela concentração da terra, de suas riquezas e de violência no campo - e que promova acesso à terra e justiça social às trabalhadoras e trabalhadores rurais.

 

Comissão Pastoral da Terra

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