COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

No último sábado (23), por volta das 17h40, os trabalhadores rurais Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura foram perseguidos por uma moto durante um longo trecho no município de Jaru, em Rondônia. A perseguição ocorreu entre o trevo da Avenida Dom Pedro I até o quilômetro 1,5 da Linha 605 – local onde os pistoleiros mataram os dois camponeses.

 

(Com informações da LCP)

“Os companheiros eram lideranças do Acampamento Paulo Justino. Enilson tinha 27 anos de idade e deixou uma filha e a esposa grávida de sete meses. Valdiro também deixou esposa e uma filha”, explicou, em Nota divulgada ontem (24), a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP). A organização denuncia, no documento, que o mandante do crime seria um latifundiário da região. “Enilson vinha sofrendo ameaças indiretas já havia algum tempo”, afirma a Liga.

“Esse crime clama por justiça e as mortes dos camponeses Enilson e Valdiro não podem ficar impunes”, ressalta a organização camponesa.

Confira, abaixo, um breve histórico sobre a situação conflituosa na região, segundo informações da LCP:

4 de novembro de 2015: camponeses do Acampamento Paulo Justino foram covardemente agredidos e despejados por oito pistoleiros fortemente armados.

Novembro de 2015: pistoleiros invadem e roubam casas no Assentamento Terra Prometida, próximo ao Acampamento Paulo Justino, e abordaram pessoas que passavam nas estradas. Além disso, ameaçaram quem não informasse onde os camponeses estavam acampados. Roubaram R$ 200 de um morador do local que vende picolé nas casas.

Novembro de 2015: um morador do Assentamento Terra Prometida esteve na delegacia do município de Ariquemes para denunciar os crimes citados acima, porém ouviu do delegado que a polícia estava atuando na área. Mas até agora nenhum pistoleiro foi preso.

23 de novembro de 2015: dois pistoleiros atiraram contra dois acampados quando passavam de moto na estrada C 60, indo para o Acampamento.

Novembro de 2015: pistoleiros agrediram brutalmente um funcionário de um fazendeiro vizinho da fazenda Santo Antônio, quando ele trabalhava na divisa. Ele foi socorrido de carro e transportado para Porto Velho, em estado grave. Os camponeses suspeitam que os pistoleiros cometeram este crime porque pensaram tratar-se de um acampado.

Novembro de 2015: camponeses denunciaram que o pretenso proprietário da fazenda Santo Antônio disse várias vezes, para diversas pessoas, que não vai perder a fazenda porque tem 36 homens trabalhando para ele lá, e que buscaria mais homens se algo acontecesse com eles. Camponeses denunciam ainda que o fazendeiro manda recados e ameaças aos líderes.

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